
FOTOCA: Marcado por um jogador do Juventude, Arouca conduz a bola no Maraca. O Fluminense venceu o time gaúcho por 3 a 2, rebaixando-o para a Segundona. Foto: Fotocom
A penúltima rodada do Brasileirão, que teve início neste sábado, confirmou o que todos já sabiam: o Juventude foi pra vala ao perder para o Fluminense por 3 a 2, no Maracanã, e ser rebaixado para a Segunda Divisão. O alviverde gaúcho fez uma campanha tão tenebrosa que nem vale a pena comentar.
O que poucos sabem, porém, é que o Juventude é apenas mais uma das vítimas da famigerada Maldição da Copa João Havelange. Ela, há seis anos, ataca os times que foram beneficiados por aquela aberração de mesmo nome, conhecida como a maior virada de mesa da história do futebol brasileiro. Dentre outras coisas, a competição, que substituiu o Brasileirão em 2000, salvou do rebaixamento o Juventude (que disputara a Libertadores naquele mesmo ano, pois ganhou a Copa do Brasil em 1999); colocou Bahia e América-MG, que não tinham conseguido colocação suficiente na Série B no ano anterior, na elite; e ainda por cima, pela única vez no futebol mundial, promoveu o campeão da Terceirona (o Fluminense) diretamente para a Primeira, sem passar pela Segunda.
Não bastasse isso tudo, o campeonato fez um revival das nada saudosas Copas Brasil dos anos 80, classificando times de divisões inferiores para as oitavas-de-final. Resultado: Paraná, São Caetano, Remo (os três primeiros colocados da Segundona) e Malutrom (campeão da Terceirona) ficaram entre os 16 primeiros colocados do país naquela temporada.
Mas Deus escreve certo por linhas tortas. O Destino tratou de corrigir as cagadas que a Cê-Bê-Efe é capaz de fazer, mesmo quando não é só ela que faz (lembrem-se que o Clube dos 13 organizou aquela competição, fazendo um favorzinho pro Ricaço Peixeira, que queria fugir do Gama). Daí, constatou-se a Maldição da Copa João Havelange. O América-MG foi rebaixado logo no ano seguinte e entrou numa fase de lascar (inclusive, caiu pra Segundona mineira neste ano). O Bahia caiu pra Série B em 2003 e, dois anos depois, foi parar na Série C (de onde só parece sair agora). O São Caetano, depois de vários vices e amareladas retumbantes (lembrem-se da final da Libertadores de 2002), caiu no ano passado e agora quase caiu pra Terceirona, também. O Paraná vai pro saco este ano, ao que tudo indica. O Remo, que nem disputou a Primeira em 2001, se mandou pra C em 2004, subiu no ano retrasado e agora caiu de novo. E o Malutrom nem existe mais...
A mais nova vítima é o Juventude, que está sendo rebaixado com oito anos de atraso, ao perder para o Fluminense. Ironicamente, seu algoz é o único que falta sofrer do mal (se bem que bateu na trave algumas vezes, mas ainda está devendo). Agora, o tricolor carioca está numa boa situação (ganhou a Copa do Brasil e disputará a Libertadores em 2008), mas nunca se sabe o que poderá ocorrer ao Flu no futuro. É bom a torcida tricolor ficar de olho... e se benzer. Afinal, não acredito em bruxas; mas que elas existem, existem.
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