No embalo da confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, publicamos aqui um texto que saiu na coluna Panorama Esportivo, de Antônio Maria Filho e Jorge Luiz Rodrigues, na edição do último sábado do jornal O Globo. O texto serve como complemento ao publicado aqui, um dia antes (e que pode ser lido logo abaixo). Que sirva de alerta para políticos, cartolas e organizadores.
PRIMEIRO ROUND
O Comitê Executivo da FIFA vai aprovar, por unanimidade de 23 votos, na próxima terça-feira, o projeto do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. Porém, é bem diferente de significar que o país pode dar como certa a realização do evento. A FIFA exigirá o cumprimento de cada prazo, de cada garantia assinada pelo governo. Fará auditorias trimestrais nas contas, sem concessões.
Por isso, não é exagero dizer que, se em junho de 2014, por ocasião do jogo inaugural, se o palco for mesmo o Morumbi, em São Paulo, o Brasil terá mudado significativamente como país. Mudado porque terá, enfim, aprendido a cumprir prazos, a respeitar cronogramas, a fazer orçamentos com alguma seriedade.
Se, para desgraça moral dos políticos e dos cartolas, isso não ocorrer, a FIFA não terá o menor constrangimento em retirar do Brasil, no dia 1º de junho de 2012, a sede da Copa de 2014. Essa data é o prazo final, previsto em contrato. Porém, pode ocorrer até mesmo antes.
Nesse caso, o Mundial iria para um dos membros de um seleto grupo, chamado internamente de G-7, capaz de organizar uma competição deste naipe em tempo recorde, casos de Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, França, Japão e Coréia do Sul.
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O Brasil só receberá unanimidade de votos por causa de sua força política na FIFA. Porém, Estados Unidos e Canadá estão à espreita. Com o fim do rodízio de continentes para sediar a Copa, a partir de 2018, o evento deverá voltar à Europa naquele ano.
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Já pensaram na manchete em 2012? "O Brasil ganha, mas não leva."
Basta o governo e a cartolagem acharem que tudo pode ser como no Pan.
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