30.10.07

O QUE O BRASIL DEVE FAZER

No embalo da confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, publicamos aqui um texto que saiu na coluna Panorama Esportivo, de Antônio Maria Filho e Jorge Luiz Rodrigues, na edição do último sábado do jornal O Globo. O texto serve como complemento ao publicado aqui, um dia antes (e que pode ser lido logo abaixo). Que sirva de alerta para políticos, cartolas e organizadores.

PRIMEIRO ROUND

O Comitê Executivo da FIFA vai aprovar, por unanimidade de 23 votos, na próxima terça-feira, o projeto do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014. Porém, é bem diferente de significar que o país pode dar como certa a realização do evento. A FIFA exigirá o cumprimento de cada prazo, de cada garantia assinada pelo governo. Fará auditorias trimestrais nas contas, sem concessões.

Por isso, não é exagero dizer que, se em junho de 2014, por ocasião do jogo inaugural, se o palco for mesmo o Morumbi, em São Paulo, o Brasil terá mudado significativamente como país. Mudado porque terá, enfim, aprendido a cumprir prazos, a respeitar cronogramas, a fazer orçamentos com alguma seriedade.

Se, para desgraça moral dos políticos e dos cartolas, isso não ocorrer, a FIFA não terá o menor constrangimento em retirar do Brasil, no dia 1º de junho de 2012, a sede da Copa de 2014. Essa data é o prazo final, previsto em contrato. Porém, pode ocorrer até mesmo antes.

Nesse caso, o Mundial iria para um dos membros de um seleto grupo, chamado internamente de G-7, capaz de organizar uma competição deste naipe em tempo recorde, casos de Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, França, Japão e Coréia do Sul.

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O Brasil só receberá unanimidade de votos por causa de sua força política na FIFA. Porém, Estados Unidos e Canadá estão à espreita. Com o fim do rodízio de continentes para sediar a Copa, a partir de 2018, o evento deverá voltar à Europa naquele ano.

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Já pensaram na manchete em 2012? "O Brasil ganha, mas não leva."

Basta o governo e a cartolagem acharem que tudo pode ser como no Pan.

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